5 de setembro de 2004

DURA LEX SED ERRADEX

Surpreende-me sempre ver a forma como gente muito séria diz, ainda com ar mais sério, que a lei é para se cumprir. Não para se questionar. Qualquer lei. Mesmo que pareça irreal e insensata. Não há juiz nenhum que não afirme "limitei-me a aplicar uma pena de acordo com a lei". E limpam as mãos às pernas, de seguida.
Ora, basta olhar a História, ou até, não ter faltado muito às aulas do 5º ano, para perceber que as leis mudam. O entendimento dos homens muda. O que hoje é um "gravíssimo atentado às instituições" amanhã será uma coisa natural.
Há cerca de 100 anos as pessoas seriam presas por adultério. Hoje, é chato.
Há 10 (não sei se já mudou) um mancebo seria declarado livre da tropa se declarasse "padecer de homossexualidade". Hoje chega a ministro da Defesa.
Ontem, uma mulher viúva, sem filhos, perderia a maior parte do seu património a favor da família do falecido, hoje, ainda o homem não arrefeceu e já ela pode estourar tudo em festas de esquecimento.
Ontem, o que estava errado está, hoje, certo.
Em muitos casos, o horrível criminoso do passado é um cidadão respeitado do presente.
Então, não seria melhor pararmos de mandar para a fogueira todos os que nos parecem vagamente ameaçadores? Tentar perceber as causas dos seus actos e em que medida CONCRETAMENTE isso afecta a comunidade?
Digo eu, que estou farto de ver mudar os livros de História...
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